Em Tempo

José Reinaldo • 3 de novembro de 2026

Coluna Em Tempo, com notas exclusivas sobre política, cotidiano e bastidores do poder

Primeiro os meus


A disputa pelos espaços na futura estrutura do governo Daniel Santos, em Santa Luzia do Pará, já começou. O ex-vice-prefeito Mário Henrique, o Bode, responsável pela coordenação da campanha do governador eleito no município, teria iniciado articulações para garantir que os cargos estaduais destinados à cidade sejam ocupados prioritariamente por nomes de sua confiança. A estratégia seria evitar que aliados e outras lideranças, inclusive de municípios vizinhos, avancem sobre esses espaços.


Correlação de forças I


A vitória de Lula no Pará não representa apenas a continuidade do seu governo. O resultado também interfere na correlação de forças políticas no estado: Dr. Daniel chega ao comando do executivo com legitimidade eleitoral depois de uma vitória superlativa sobre a candidata apoiada por Helder. Entretanto, poderá enfrentar um cenário em que seu arqui-inimigo tenha acesso privilegiado ao governo federal, caso se confirme a possibilidade de Helder trocar o Senado por um ministério, ampliando sua capacidade de articulação e fortalecendo a reorganização de seu grupo político.


Correlação de forças II


A eventual presença de Helder Barbalho na Esplanada dos Ministérios poderá abrir um novo canal de articulação para prefeitos, parlamentares e lideranças municipais. Na prática, esses grupos não dependeriam exclusivamente do Palácio dos Despachos para buscar investimentos, parcerias e apoio institucional, podendo também recorrer à influência política do senador junto ao governo federal. Isso, porém, não significa que a estrutura federal ficará inteiramente sob controle do grupo Barbalho, nem que Daniel Santos estará isolado politicamente, por que a relação institucional entre União e estado envolve interesses que vão além das disputas partidárias.


Tabuleiro


A vitória de Lula provocou novas movimentações e alimentou especulações sobre os próximos passos de Helder Barbalho. Uma das possibilidades é uma articulação para que o senador eleito assuma um ministério, abrindo caminho para que seu pai, Jader Barbalho, permaneça no Senado. Caso se concretize, poderá provocar mudanças no tabuleiro político do Pará, mantendo a influência da família Barbalho tanto no cenário estadual quanto na política nacional.


Diplomação


O TRE marcou para 15 de dezembro, às 10h, no Hangar, a cerimônia de diplomação dos eleitos. Entre os diplomados estarão o governador, Dr. Daniel, e sua vice, Ellayne Almeida. A cerimônia oficializa o resultado das urnas e confirma a condição dos eleitos para assumir os respectivos cargos. A diplomação é uma das últimas etapas do processo eleitoral e antecede a posse, marcando o encerramento da fase de reconhecimento oficial dos resultados pela Justiça Eleitoral.


Secretariado I


Especulações apontam como praticamente certas algumas nomeações para governo Daniel Santos. A vereadora Leila Freire é apontada como futura secretária estadual de Educação. Aliada histórica do governador eleito, ela já comandou a pasta durante o governo Simão Jatene e também foi secretária municipal de Educação de Ananindeua na gestão de Daniel. Outro nome citado é o de Dayane Lima, atual secretária de Saúde de Ananindeua, que deverá assumir a Secretaria de Estado de Saúde. Para a Segurança Pública, o nome de Eder Mauro aparece como favorito. Já a Sefa continua sem definição, mas deverá ser comandada por um técnico de fora do Pará.


Secretariado II


A montagem do secretariado de Daniel Santos começa a provocar burburinhos nos bastidores. Entre os nomes cotados estão Rui Begot, Arnaldo Jordy e Wladmir Costa. As possíveis indicações ampliam as especulações sobre o perfil da equipe. Mas por enquanto, não há confirmação oficial e as articulações seguem em andamento, por que a composição definitiva do primeiro escalão deverá ser conhecida à medida que Daniel avançar nas escolhas dos seus auxiliares.


A propósito


A lista de possíveis integrantes do governo de Daniel Santos reúne nomes com experiência política e administrativa, que inclusive, fizeram parte do governo Jatene. Os nomes que circulam na imprensa ainda devem ser tratados como possibilidades, sem confirmação, e as próximas semanas deverão ser marcadas pelas definições oficiais sobre os responsáveis pelas principais secretarias e cargos estratégicos da administração estadual.


Filme antigo


A presença de antigos integrantes do governo Simão Jatene na equipe de transição de Daniel Santos tem provocado comentários maldosos sobre uma possível retomada de espaços por nomes ligados ao antigo tucanato paraense. Nilo Noronha, Noêmia Jacob e Roberto Amoras estão entre os citados nesse movimento, apelidado de “jatenização” do governo Daniel Santos, pelas más línguas. Entretanto, vale destacar que Dr. Daniel também já integrou o PSDB, conviveu politicamente com essas pessoas e conhece a trajetória de cada uma delas.

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