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Archive for Abril 2008

Santa Luzia do Pará - 50 anos de existência.

Uma coisa que pouca gente sabe. Santa Luzia do Pará, neste ano de 2008 completará 50 anos de fundação. Foi exatamente no ano de 1958 que o primeiro morador fixou residência nessa região. Trata-se do retirante nordestino Manoel Gaia, pioneiro do lugar, que seguindo o pico demarcatório da então, futura BR-316 (Pará-Maranhão), chegou até aqui onde funcionava desde 1956 o acampamento do engenheiro Dr. Tabosa e os trabalhadores responsáveis pela construção do trecho da BR compreendido entre Capanema e a divisa com o Maranhão no rio Gurupi. Segundo informações extra-oficiais, Manoel Gaia fixou residência e ‘botou’ um roçado na região hoje correspondente à travessa D. Pedro II conhecida popularmente como Rua do Curí dando origem ao povoamento da localidade, que inicialmente foi chamado de Dr. Tabosa em referência ao engenheiro que mantinha acampamento no local, segundo algumas fontes, mais ou menos no trecho onde hoje funciona o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a rádio Curí FM. Mas, o nome não foi aceito pela comunidade, que resolveu dar o nome de Km 47 por ser um entreposto distante 47 quilômetros da cidade de Capanema, e posteriormente surgiu o nome de Santa Luzia, em homenagem à santa padroeira adotada pela população da então Vila de Santa Luzia.
Como já foi afirmado, apenas uma pequena parcela da população luziense conhece esses fatos e datas, isso configura a falta de memória do município que tem poucas ou nenhuma referência histórica e tampouco acervo onde possam ser encontrados esses dados tudo o que se tem conhecimento são fatos contados verbalmente pelos moradores mais antigos, que já são muito poucos depois de meio século de fundação da vila que deu origem à cidade de Santa Luzia. Essa falta de informações a respeito da nossa história já é um problema sério nessa geração, imagine pras gerações futuras que virão no próximo cinqüentenário, portanto é função nossa, hoje buscar o máximo de informações que possam contar a história da nossa querida cidade morena, afim de que tenhamos uma identidade, um passado que conte nossas origens enquanto luzienses.
E é justamente essa a função desse espaço, divulgar nossa cidade, nossa cultura, nossas origens de forma isenta e independente de qualquer manifestação ideológica que venha comprometer a veracidade dos fatos.
Parabéns Santa Luzia, pelo meio século de existência...

Vem aí os "Deserdados Elétrico"...

Será em julho a "1ª Micareta de Santa Luzia do Pará": Os Deserdados Elétrico...

O bloco carnavalesco "Os Deserdados", está de parabéns pela idéia genial de criar a primeira micareta da cidade morena: Os Deserdados Elétrico que acontecerá nos dia 11 e 12 de julho pelas ruas da cidade já prometendo ser um sucesso logo na estréia, seja pelo tamanho da badalação na cidade, seja pela euforia dos integrantes do bloco e da população em geral que não comenta outra coisa, senão Os Deserdados Elétrico.
Mas já era hora de alguém tomar uma atitude nesse sentido, para oferecer pelo menos uma opção para àqueles que não podem viajar no mês de julho criando também um atrativo para que pessoas de fora tenham motivos para frequentar a cidade nesse perído e, de quebra, incluir mais uma data festiva no calendário municipal tão carente de lazer, principalmente depois que sepultaram o Canto da Terra no esquecimento deixando o povo luziense com poucas (ou nenhuma) opção de grande porte.
Este é o cartaz alusivo à festa, criado pela comissão dos Deserdados que já pode ser visto por toda cidade contagiando mais ainda àqueles que adoram uma folia. O Blog Santa Luzia On-line, estará na parceria e na corbetura desse evento que só vem enaltecer essa cidade maravilhosa, para isso continuem acessando nossa página para dá sugestões, fazer críticas e votar na nossa enquete.

E em julho CAIA NA GANDAIA com "Os Deserdados Elétrico"...

VI POVOS DA AMAZÔNIA...



Justificativa
"A Amazônia tradicional, dos povos ribeirinhos dos baixos rios e do beiradão da calha central, sobrevive em todos os pequenos sítios, povoados, vilarejos e cidades que se estabeleceram ao longo do rio Amazonas e seus afluentes. Caboclos da Beira, como foram cognominados por Charles Wagley, também apelidados de caboclos suburucus do beiradão e da raça, constituem os diferentes tipos humanos que estão hoje, estão vivendo e trabalhando na Amazônia."
Samuel Berchimol

Contextualização
A Amazônia brasileira carrega em sua origem uma diversidade gigantesca da fauna e da flora do Planeta, mas sua história traz a marca da luta do povo que compõe esse "universo verde de diversidade", a verdadeira insônia do mundo. Povo capaz de defender seu patrimônio verde com sangue, que vive uma simbiose com a natureza, e possui uma cultura característica e inigualável. São eles os personagens construtores da ocupação, história e cultura amazônica: os ribeirinhos, garimpeiros, seringueiros, os índios e os caboclos entre outros. Neste contexto, é de fundamental importância identificar no processo histórico e geográfico da Amazônia as diversas culturas e seus respectivos traços identificatórios: marajoara, tapajoara, tocantino, caeteuara, bragantino e etc, objetivando conhecer as possibilidades criadas pelo homem, para o desenvolvimento de práticas voltadas para a preservação cultural e natural.
Conectada a essa realidade e tendo o compromisso com a preservação, conscientização ambiental e o resgate histórico-cultural da identidade amazônica, está a ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO PROFESSORA FLORENTINA DAMASCENO, desejosa por debater a problemática "Sustentabilidade dos Povos Amazônicos" no evento que acontece anualmente, denominado de Povos da Amazônia que este ano realizará sua sexta edição sob o título "VI POVOS DA AMAZÔNIA" possibilitando aos sujeitos escolares compreenderem sua origem (amazônica), a partir do olhar de profesores, alunos, corpo técnico, pedagógico e administrativo juntamente com a comunidade luziense. Os fatores embrionários a serem discutidos , circundam na problemática acima enfocada, que propões ser um meio de configurar a civilização e atividade humana. A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde o local em que se vive até o planeta inteiro. Para um empreendimento humano ser sustentável, deve levar em consideração requisitos básicos que devem ser: ecologicamente correto; economicamente viável; socialmente justo e culturalmente aceito.
O VI Povos da Amazônia, terá como culminância a semana em que comemora-se o dia do índio, desejando-se celebrar e debater as questões inerentes a esses conceitos com o objetivo de resgatar a cultura não só do índio, mas de todos aqueles que fazem a história da Amazônia envolvendo toda a conjuntura que a compõem: florestas, rios, produção de ouro, cerâmica, hábitos alimentares e religiosos e etc.

Objetivo Geral
Transversalizar discursões críticas a cerca de temáticas atuais sobre sustentabilidade a nível local e na Amazônia como um todo, possibilitando aos sujeitos da comunidade escolar o reconhecimento e o engajamento à causa da preservação do meio ambiente para as futuras gerações.

PROGRAMAÇÃO

* ENSINO FUNDAMENTAL
Turma: 6ª "A"
Professoras: Maria das Dores e Lindalva Ventura
Tema: "Santa Luzia um Pedaço do Brasil"
Turma: 5ª "A"
Professora: Denise Maria
Tema: "A Cultura do Povo Luziense"
Turma: 8ª "C"
Professor: Antonio Soares
Tema: "Um só DEUS e várias religiões"
Turma: 5ª "B"
Professora: Susana Saldanha
Tema: "A Cultura do Povo Luziense"
Turma: 6ª "B"
Professoras: Maria Orlete e Maria Luíza
Tema: "Amor, Ódio e Crenças"
Turma: 6ª "C"
Professora: Keila Cristina
Tema: "A Educação Luziense"
Turma: 7ª "A"
Professora: Maria Lucinéia
Tema: "Sobrevivência Agrícola do Povo de Santa Luzia do Pará"
Turma: 7ª "B"
Professora: Antonia Batista
Tema: "Economia Solidária"
Turma: 8ª "A"
Professor: Flávio Jorge
Tema: "Os Mitos e as Religiões"
Turma: 8ª "B"
Professor: José Leivinho
Tema: Não fornecido pelo professor

ENSINO MÉDIO
*Manhã
Turmas: 1º "A" e "B"
Professora: Maria Luíza
Tema: "Cultura - crença, corpo e saúde"
*Tarde
Turma: 1º "A"
Professora: Silvânia Saldanha
Tema: "Garimpeiros"
Turma: 1º "B"
Professora: Sandra Correia
Tema: "Ervas medicinais"
Turma: 1º "C"
Professora: Maria Lucinéia
Tema: "Descobrimento e Transformações"
Turma: 1º "D"
Professor: Fernando Vieira
Tema: "A Origem da Vida Segundo Índios e Negros"
Turma: 2º "B"
Professora: Elany Barros
Tema: "A Cultura Marajoara: Um Resgate Histórico e Cultural"
Turma: 2º "C"
Professora: Betânia Pastana
Tema: "carimbó e Matemática"
Turma: 2º "D"
Professora: Juliana Patrízia
Tema: "Caubói e/ou Peão"
Turma: 2º "E"
Professora: Lucieth
Tema: "o Povo bragantino e a Marujada"
Turma: 3º "A"
Professora: Vera Lúcia
Tema: "Parasitismo: Uma Estratégia de Vida"
Turma: 3º "B"
Professora: Elizenira
Tema: "Apresentação do Projeto Vida Verde"
Turma: 3º "C"
Professora: Luzia vanda
Tema: "Os Soldados da Floresta"
*NOITE
Turma: 1º "A"
Professora: Elany Barros
Tema: "Identidade Ribeirinha - Aspéctos Sócios Culturais dos Ribeirinhos da Amazônia"
Turma: 2º "B"
Professor: Flávio Jorge
Tema: "Traços Identitários da Cuktura Marajoara na Cerâmica e nos Traços Atuais"
Turmas: 3º "A" e "B"
Professor: Antonio Soares
Tema: "Economia Solidária - Uma Chance Para a Vida, Respeitando a Natureza"

DATA: 25/04/2008
LOCAIS:
*MANHÃ (INÍCIO: 08:00H): Quadra de esporte da Escola Florentina Damasceno
*TARDE (INÍCIO: 14:00H): Salão Paroquial

ORGANIZAÇÃO: Diertoria, Cordenação Pedagógica, Secretariado, Corpo Técnico e Docente da Escola Estadual de Ensino Médio Professora Florentina Damasceno

Cecéu - Três anos de saudades...


Deixa a vida me levar. Vida leva eu... Sou feliz e agradeço por tudo que DEUS me deu...”.

Não poderia começar esta postagem de outra forma que não fosse essa. Ao ler esse trecho da música do cantor Zeca Pagodinho, logo qualquer pessoa vai perceber que se trata do saudoso amigo Cecéu que tinha essa música como um hino pessoal e filosofia de vida e fazia questão ouvi-la ou cantá-la nas ‘reuniões’ que costumava fazer com os amigos.
Fez três anos no último dia 17, que Cecéu nos deixou indo para a morada do pai. Hoje sua memória ainda continua presente na lembrança de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer o grande homem de inegável honestidade e liderança política que conseguia do alto da sua humildade agregar as mais diversas ideologias em torno de um objetivo comum, o bem do seu povo pelo qual lutou incansavelmente ao longo dos mais de vinte anos de vida pública com o respaldo do mais bem sucedido ao mais humilde dos cidadãos.
Cecéu iniciou sua vida pública no ano de 1982 eleito vereador pelo PMDB para compor a Câmara municipal de Bragança, cujo município era sede da referida comunidade onde seu pai Raimundo Doca (in memorian) que era líder político o indicou, exercendo seu mandato até o final no ano de 1988 quando foi substituído pelo seu pai até o ano de 1992 período em que a comunidade do Peritoró já havia sido desmembrada do município de Bragança para fazer parte do recém-criado município de Santa Luzia do Pará instituído em 1991.
Depois de quatro anos efetivamente afastado, Cecéu voltou ao cenário político eleito novamente vereador ainda pelo PMDB, agora como representante da primeira composição da Câmara Municipal do novo Município Santa Luzia do Pará sendo eleito seu primeiro presidente pelo período de dois anos com a responsabilidade de elaborar e promulgar a Lei Orgânica Municipal (Constituição Municipal) do mais novo membro do Estado do Pará. Cecéu ainda foi reeleito vereador nos dois próximos pleitos, em 1996 e 2000 sagrando-se neste último, como o vereador mais bem votado já pelo seu novo partido o PSDB ficando aí até o ano de 2003 quando migrou para o PDT que ele presidiu participando das negociações para a formação de uma grande coalizão com os partidos de esquerda e elites locais para a composição de uma nova força político-partidária do município no ano de 2004 visando às eleições municipais que se aproximavam. Concorrendo na chapa da esquerda Cecéu foi eleito vice-prefeito com forte apelo popular e da sociedade em geral conduzindo seu irmão à Câmara Municipal alçado pelo seu imenso prestígio político coroando uma vida de muitas lutas e vitórias no cenário político local que ele ajudou a escrever nos autos da história desse município onde seu nome com certeza figurará entre os mais importantes luzienses que tanto amou e defendeu essa Terra.
No ano de 2005, mais precisamente no dia 17 de abril, numa tarde chuvosa de sábado depois de passar o dia na companhia dos amigos (onde eu também estava) por volta das cinco e meia da tarde uma fatalidade levou para sempre, o homem de sorriso fácil e grande vontade de viver que tinha como inspiração o cantor Zeca Pagodinho, num trágico acidente de automóvel na BR-316 quando retornava para sua residência no velho Peritoró que o acolheu desde a florescência da sua mocidade até suas grandes conquistas como um verdadeiro líder no complicado mundo da política.
Cecéu, onde você estiver, saiba que você se foi, mas deixou órfã toda uma legião de amigos, admiradores e correligionários que jamais te esquecerão apesar da insistência do tempo e dos acontecimentos. Sua memória sempre servirá como referência para toda essa geração que o conheceu e o amou como homem simples do povo que você sempre foi ao longo da sua rápida existência entre nós.

Reinaldo

Bar do Mundinho - O melhor point da cidade.

É assim mesmo, sem nome definido, que se descreve o mais novo ponto de encontro da sociedade luziense. O bar de um senhor sério mas muito prestativo Chamado intimamente de Mundinho é atualmente o mais badalado point da cidade de Manoel Gaia reunindo diariamente os amantes de um bom bate-papo regado com uma cerveja geladinha acompanhada de um excelente tira-gosto de queijo à moda da casa.

Nos finais de semana o ambiente que já virou mania fica tão lotado que falta espaço, ficando congestionado de pessoas querendo estacionar seus carros com som automotivo para apreciar a boa música regional e é claro saborear uma cervejinha.

O espaço é pequeno mas acochegante dispondo de um bom atendimento beirando o vip, tornando-se disputadíssimo pela boemia local principalmente nos finais de semana e feriados.

Dispondo de uma clientela seleta e fiel, o Bar do Mundinho (nome criado pelos frequentadores) é um daqueles lugares que alguém com um olhar mais despercebido não imagina que ali é o mais vip dos ambientes da cidade Morena. Quem já conhece sabe do que estou falando, quem não conhece venha conhecer que vale à pena e para quem é luziense e reside fora fica o convite: quando vier à Santa Luzia não deixe de visitar o bar do meu amigo Mundinho...

O RIO CURÍ AINDA PEDE SOCORRO...

Por Naldo Blandtt

UM POUCO DE HISTÓRIA
É importante entendermos nossa história, para a partir dela contextualizarmos a realidade socioeconômica e ambiental de modo que possamos fazer avaliações fundamentadas num sistema provativo para os desafios atuais. O ano de 2008 é uma referência de caráter social importantíssimo para a sociedade luziense, especificamente por ser o ANIVERSÁRIO DE 50 ANOS DA CRIAÇÃO DO ACAMPAMENTO PRÓXIMO AO RIO CURÍ, pelo engenheiro Dr. Tabosa (responsável pela construção da BR-316 no trecho entre a cidade de Capanema e o rio Gurupí) e também pela CHEGADA DO PRIMEIRO MORADOR A FIXAR-SE NESSA ÁREA, O SENHOR MANOEL GAIA E SUA FAMÍLIA VINDA DO NORDESTE seguindo o pico demarcatório da rodovia Pará-Maranhão no ano de 1958, o que tem como referência o nascimento da sociedade luziense.
Segundo relatos orais dos habitantes mais antigos, o senhor Manoel Gaia, fixou residência onde atualmente encontra-se a travessa D. Pedro I, conhecida popularmente como “Rua do Curí”. E o acampamento do engenheiro Dr. Tabosa, foi fixado às margens do pico da, então estrada em construção, BR 316, próximo ao rio Curí que, servia de fonte de água para os trabalhadores, a uma distância média de 150 metros correspondente ao local onde hoje se encontra o Centro de Cultura Popular, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a Rádio Curí FM.

O RIO CURÍ
A intenção desse artigo é referendar o início dos impactos sócio-ambientais ocorridos no rio Curí desde o início da urbanização do município e a historia da luta social liderada por movimentos ambientais e/ou religiosos católicos desarticulados sem conhecimentos ambientais, na luta pela sobrevivência do referido rio, com boas intenções, porém sem sucesso em suas práticas.

O Curí é um dos principais afluentes da margem direita da bacia hidrográfica do Caeté, que desemboca na península da ilha de Ajuruteua no município de Bragança. A nascente do rio Curí localiza-se dentro do município de Santa Luzia, distante aproximadamente nove quilômetros (em linha reta) da sede. Embora localizada na área de relevo acentuado da bacia hidrográfica do rio Guamá e mais próxima desta, sua nascente tem correnteza contrária, na direção da hidrografia do Caeté caracterizando um vale, o que denomino de “vale do Curí”, com características de baixo relevo bastante acentuadas na cidade de Santa Luzia entre os conhecidos km 47 e 48 ocasionado pela passagem do rio Curí.

Desde 1958 que o rio Curí sofre com o processo constante de impactos ambientais iniciados com a devastação da mata ciliar, sendo mais crítico na área urbana onde esses impactos atingiram nível três, ou seja, a penúltima na escala de impactos ambientais, caracterizando-se como gravíssimos, pois não há mata ciliar e nenhum tipo de vegetação secundária nas margens do rio, provocando duas fases distintas no período de chuvas: uma relacionada às enchentes (que infelizmente é apreciada pela sociedade luziense como um atrativo bonito), e a segunda de médio prazo que em vez de infiltrar-se no solo, a água do rio é escoada sobre a superfície formando enormes enxurradas que não permitem o bom abastecimento do lençol freático, promovendo a diminuição do armazenamento da água nas cabeceiras próximas da área urbana de Santa Luzia, que seriam fontes do rio Curí.
As conseqüências do rebaixamento do lençol freático não se limitam as nascentes, mas também aos córregos e riachos abastecidos pelo Curí. As enxurradas, por sua vez carregam partículas do solo provocando o processo de erosão que se amplia pelo acúmulo de lixo e diversos tipos de resíduos. Como não são controladas, já caracterizam as temidas voçorocas do rio Curí, sobre a área urbana de Santa Luzia. A voçoroca é formada pela combinação de processos de erosão que demonstram um desequilíbrio do ambiente, o que já caracteriza essa área especifica do rio Curí.
As conseqüências da voçoroca do rio Curí, na área urbana de Santa Luzia do Pará, quem mais sofre são os peixes que praticamente não encontram mais esse habitat, ampliando os impactos ambientais e a negligência atrópica nessa área. O nível três na escala de impactos ambientais na passagem do rio Curí sobre a área urbana de Santa Luzia, tem conseqüências para ambos os lados: as mananciais diminuem a quantidade de peixes, e na direção da fluência do Caeté, as matas ciliares estão sendo substituídas por capoeiras fragilizando o meio ambiente, pois as espécies arbóricas apresentam diferenciações sutis que só são percebidas pela taxonomia (as espécies Meliaceae, Euphorbiaceae, Moraceae, Lauracea, entre outras, fazem parte do grupo de espécies de mata ciliar, e infelizmente nao existentes mais na vegetação das margens do rio Curi, na área urbana de Santa Luzia) fazendo com que suas funções ecológicas que permitem o equilibrio do habitat, os ciclos vegetativos e a quimica ambiental se alterem.
As ações atrópicas se fortaleceram a medida que a vila de Santa Luzia crescia sem planejamento ambiental agredindo brutalmente o rio Curí, com o crescimento urbano desordenado adotando práticas desfavoráveis e ambientalmente incorretas pelos moradores locais especialmente entre as ruas D. Pedro I e Magalhães Barata e o “Bairro Novo” onde passa um córrego abastecido por degetos sanitários e outros resíduos que caracterizam a poluição fisioquímica do rio Curí piorada pela localização do matadouro da cidade instalado nas suas margens há mais de três décadas, onde resíduos orgânicos e não orgânicos são transferidos para suas água, fortalecendo o desequilibrio ambiental com práticas irregulares. Atualmente a Prefeitura Municipal está transferindo o matadouro da margem do Curí para um local mais adequado e fora da cidade (km 39), isso já é um avanço importante rumo a diminuição dos impactos ambientais sobre o rio Curí, contudo, muitas outras ações precisam ser realizadas para sua revitalizaçõa que se faz urgente necessária.
Os períodos de estiagem no rio Curí, infelizmente ja existem, e são três vezes maiores que o período comum da Amazônia, provocados pela ausência de um rio que fortaleça a disposição de água sobre o leito, e consequentimente sobre os lençóis freáticos. Nos períodos médios de agosto a novembro o rio Curí, se transforma num córrego, e infelizmente num futuro próximo se transforme num rio peneiro, ou seja, que seca num determinado período do ano. A sociedade luziense já está pagando um alto preço por isso: nesse mesmo período de estiagem que vai de agosto a novembro, a água disposta para a zona urbana é reduzida, porque o lençol freático ultilizado pela COSANPA é um dos manancias do rio Curí, distante a três quilômentros da cidade, o que caracteriza um dos resultados do impacto ambiental gerados sobre o rio Curí.
A medida que passa o tempo mais o rio Curí sofre com as agressões e atos de abandono fazendo com que a maioria dos jovens da atualidade aprendam que o rio não tem importância para a cidade de Santa Luzia. Infelizmente isso é o reflexo das consequências sociais e do desemparo ambiental com o rio que fez nascer uma cidade às suas margens, pois estes jovens, que são o futuro da sociedade luziense, não compreendem a luta na defesa do rio, e alguns interpretam como jogo politico-partidário, o que é uma pena. Contudo, a juventude das decadas de 80 e 90, lutaram em defesa do rio Curí, por que ainda o conheceram como um rio caudaloso de águas cristalinas onde era possível tomar banho, pescar, usar canoas e curtir fortes emoções naqueles tempos românticos em que prevalecia um importante preceito humano: o equilibrio da natureza depende das ações do homem.

A Pastoral da Juventude (movimento social católico) nas décadas de 80 e 90 tentou por algumas vezes, sem conhecimentos cientificos, plantar mudas na tentativa de reconstruir a mata ciliar do Curí durante a realização de alguns eventos de grande importância socio-cultural como Canto da Terra e dança SALUDOPÁ onde foram apresentadas reividicações e soluções para a defesa da sobrevivência do nosso rio. O grupo Raizes Culturais (grupo de identidade folclórica e cultural composta por jovens da sociedade local) em seus encontros semanais tinha a defesa do rio Curí como uma das pautas de discussões permanentes o que culminou com a criação de um movimento denominado S.O.S Rio Curí, que tinha a intenção de defendê-lo. Ironicamente, a primeira rádio de Santa Luzia chama-se Curí FM, nasce uma rádio enquanto nosso rio agoniza pedindo socorro.

Legalmente a mata ciliar é uma área de preservação permanente, que segundo o Código Florestal (Lei n.° 4.771/65) deve-se manter intocada. Caso esteja degradada deve-se prever a imediata recuperação, e o titular definitivo da área que não cumprir essa exigência legal poderá ser punido com multas expedidas pelo IBAMA e/ou Secretaria Estadual de Meio Ambiente. A lei existe há 40 anos, mas nunca foi aplicada no caso do rio Curí. Toda vegetação natural (arbórea ou não) ao longo das margens dos rios, nascentes e de reservatórios deve ser preservada. De acordo com o artigo 2° dessa lei, a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada deve ser proporcional à largura do curso d'água, portanto na área urbana de Santa Luzia, as dimensões das faixas de mata ciliar às margens do rio Curí deveriam ser de 30 metros.

Há tempo para salvar o rio Curí? Sim. Contudo, a cada dia que passa, sua situação fica mais grave devido aos enormes impactos ambientais que o ameçam. Se não tomarmos atitudes com a intenção de salvá-lo agora, corremos o risco de perder para sempre nosso amado rio Curí, berço da “civilização luziense”, que sofrerá graves conseqüências sociais devido à morte do nosso rio.

VAMOS SALVAR O CURÍ, AINDA TEMOS TEMPO SIM...

Édno Alves - Candidatíssimo.


O empresário do setor madeireiro Édno Alves, já confirmou oficialmente que vai concorrer ao cargo de prefeito pelo seu partido o PSB nas próximas eleições municipais em Santa Luzia e, inclusive, já iniciou uma série de visitas pelo interior do município realizando reuniões com lideranças locais em busca de apoio colocando-se como mais uma opção no próximo pleito ao lado do ex prefeito Mico e do atual prefeito que disputará a reeleição, prometendo esquentar a briga pela cadeira do executivo municipal luziense.
Segundo o próprio Édno, além da busca pelo apoio popular para viabilizar sua candidatura também já iniciou convesações com diversas lideranças políticas e sociais de Santa Luzia para definir seu companheiro de chapa na vaga de vice, o que segundo ele falta muito pouco, mas não citou nomes ressaltando apenas que este sairá depois que conversar com todos que compõem sua base de apoio e seus companheiros de partido para que se chegue a um consenso, podendo ser uma pessoa dos quadros do PSB ou até mesmo de fora do partido, desde que se identifique com com seu projeto de governo que ainda segundo Édno, já está sendo elaborado por uma equipe técnica competente onde procura solucionar os problemas básicos mas crônicos que assolam o município desde sempre, como educação, saúde e saneamento, dando uma atenção toda especial para o desemprego.
Édno adiantou que seu projeto dá ênfase maior ao desemprego por se tratar do problema mais grave que atinge a população, carecendo de soluções imediatas antes que mais jovens e pais de famílias tenham que abandonar sua terra natal em busca de trabalho em outros municípios ou até mesmo fora do Estado como acontece hoje em dia com a maioria da população que só tem a opção de emprego no serviço público municipal que não suporta mais a sobrecarga nem oferece alternativas além do assistencialismo que em nada melhora a vida do povo tão carente de seus direitos mais básicos para a sobrevivência.
Édno Alves é maranhense da cidade de Açailândia tem quase 50 anos e reside em Santa Luzia desde o ano de 1992 quando aqui se estabeleceu como residente e empresário do setor madeireiro permanecendo com sua família até hoje gerando centenas de empregos para a população da cidade que ele aprendeu a amar e adotou como sua terra natal onde pretende, segundo ele, permancer até os seus últimos momentos de vida.

Regiões de Integração - Uma visão sócioeconômica do território paraense.

Desde cedo aprendemos na escola que o território paraense é dividido e classificado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em micros e mesorregiões levando em consideração apenas os aspéctos físicos e climáticos, esquecendo-se dos fatores sociais, econômicos e pluralistas presentes em cada região, que não pode ser analisada de um ponto de vista isolado sem levar em consideração as características socio-culturais do povo que a compõe, sendo este o principal elemento de transformação do espaço e presevação dos costumes inerentes em cada etnia. Foi pensando nisso que o Estado, baseado em pesquisas bastante fundamentadas, estabeleceu uma nova classificação levando em conta principalmente os dados sociais e culturais criando as Regiões de Integração, uma nova classificação do espaço paraense.


Regiões de Integração
A nova proposta de regionalização para o Estado do Pará surgiu da constatação de que as regionalizações estabelecidas pelo IBGE – Mesorregião e Microrregião – não mais refletiam a realidade estadual.
Foram identificadas 12 Regiões de Integração que levou em consideração as características de concentração populacional, acessibilidade, complementaridade e interdependência econômica. Ao todo foram utilizados doze critérios, os quais permitiram uma versão preliminar para a regionalização do Estado.
Os indicadores utilizados no estudo foram:
- População (IBGE 2000);
- Densidade Populacional (IBGE 2000);
- Concentração de Localidades (GEOPARÁ 2002);
- Repasse de ICMS (SEFA / 2º semestre de 2002);
- Renda per capita (IBGE 1991);
- Acessibilidade física (SIGIEP 2002);
- Consumo de Energia Elétrica (Rede Celpa 2002);
- Leitos por mil habitantes (DATASUS / SEEPS);
- Índice de Desenvolvimento Humano – IDH (PNUD 2000)
- Telefonia Fixa (Telemar 2002);
- Índice de Alfabetização (IBGE 2000);
- Fatores Geopolíticos.

A partir do cruzamento desses dados definiram-se 12 Regiões de Integração, as quais foram hierarquizadas em 4 níveis, em função de seu grau de acessibilidade, de dinâmica econômica, ocupação populacional e nível de acesso a equipamentos básicos e conectividade.
Nível 01
01. Região Metropolitana (5 municípios)
02. Região Guamá (18 municípios)
03. Região Caeté (15 municípios)
Nível 02
04. Região Araguaia (15 municípios)
05. Região Carajás (12 municípios)
06. Região Tocantins (11 municípios)
07. Região Baixo Amazonas (12 municípios)
Nível 03
08. Região Lago de Tucuruí (7 municípios)
09. Região Rio Capim (16 municípios)
10. Região Xingu (11 municípios)
Nível 04
11. Região Marajó (15 municípios)
12. Região Tapajós (6 municípios)

O município de Santa Luzia pertence a Região Caeté, que está no Nível 1 dessa classificação, veja:

REGIÃO CAETÉ
Municípios integrantes da Região Caetá:
-Augusto Corrêa;
-Bonito;
-Bragança;
-Cachoeiras do Piriá;
-Capanema;
-Nova Timboteua;
-Peixe Boi;
-Primavera;
-Quatipuru;
-Salinópolis;
-Santa Luzia do Pará;
-Santarém Novo;
-São João de Pirabas;
-Tracuateua;
-Viseu.

Características Gerais:
• População Absoluta (IBGE, 2006): 443.402 hab.
• Densidade Demográfica (IBGE, 2006): 26,74 hab/km²
• Produto Interno Bruto - PIB (SEFA, 2004): R$ 888.013 mil
• Índice de Desenvolvimento Humano - IDH: 0,65
• PIB per capita (SEFA, 2004): R$ 2.061,86
• Valor Adicionado (%) - Setor Agropecuário (SEFA, 2004): 23,97 %
• Valor Adicionado (%) – Setor Indústrial (SEFA, 2004): 16,77 %
• Valor Adicionado (%) – Setor Terciário (SEFA, 2004): 59,26 %
• Consumo de Energia Elétrica (REDE, 2006): 4% do total do estado.
• Atendimento Água (2000): 33% dos domicílios.

Histórico e Situação Atual:
A região é formada por municípios que fazem parte de duas microrregiões do IBGE: Bragantina e Salgado. Seu histórico de ocupação é semelhante ao da Região de Integração do Guamá. Algumas cidades e municípios são anteriores a construção da Estrada de Ferro Belém-Bragança, cuja construção iniciou em 1883 e teve seu termino em 1906. A cidade de Bragança, por exemplo, tem sua origem na Vila Souza do Caeté, fundada em 1633. No entanto, sem dúvida, a construção da Estrada de Ferro Belém-Bragança intensificou o processo de ocupação e colonização desse espaço regional. Assim como a Região de Integração do Guamá, a RI do Rio Caeté já foi uma das mais dinâmicas do estado, mas hoje passa por uma fase de estagnação. Considerando o seu PIB, a região está na décima primeira colocação. Sua participação no total de Valor Adicionado a produção no estado, no ano de 2004, foi de apenas 2,72%. A região necessita de políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento de suas atividades econômicas. Hoje, suas principais atividades econômicas são a agricultura, a pecuária e a pesca; no entanto essas atividades são realizadas baseadas em pouca tecnologia e agregação de valor. Como potencialidades para a RI destacam-se o turismo com o aproveitamento do litoral atlântico (turismo de sol e mar) e o turismo de aventura; a pesca empresarial e artesanal; a produção agrícola e pecuária realizada com base em cooperativas, principalmente dos seguintes produtos: mandioca, feijão caupi e fibras vegetais (malva). Destaca-se potencialmente ainda a aqüicultura e a indústria extrativa mineral com a extração do calcário.
Reinaldo

FONTE: Secretaria de Integração do Estado do Pará.

A produção do espaço luziense (A cidade de Manoel Gaia) - Parte final

Por: Jorge Daniel de Sousa e Silva (Jorginho)

Anteriormente, a fixação dos posseiros e colonos ocorria, principalmente, nas margens do rio Caeté por onde era transportada a pequena produção comercializada inicialmente na vila do Tentugal que na época funcionava como uma espécie de entreposto comercial favorecido pela proximidade e navegabilidade do referido rio.
A chegada dos novos colonos e posseiros juntamente com a grande oferta de terras destinadas para o cultivo estimulou o desenvolvimento das atividades agro-pastoris empreendidas nessas áreas, proporcionando o aumento do excedente da produção e a emergência das atividades comerciais centralizadas na vila do Tentugal e, posteriormente, após a abertura da rodovia na vila de Santa Luzia, ambas pertencentes ao município de Ourém.
A dinâmica de integração econômica e espacial juntamente com a inserção da região amazônica na economia nacional, imposta pela divisão territorial do trabalho, constitui-se através da montagem de grandes eixos de circulação rodoviária, exploração extrativa e semi-industrial (grandes projetos) que provocam grandes impáctos no padrão de povoamento da região direcionando o fluxo de capitais, serviços e mão-de-obra dos rios para as margens das rodovias que foram construídas na região.
Desta forma, a abertura dos primeiros picos da Pará-Maranhão serviu de estímulo para a fixação de colonos, posseiros, peões e comerciantes que migraram em busca de melhores oportunidades e facilidades no transporte e circulação de produtos bem como o de serviços centralizados na área que atualmente corresponde a cidade de Santa Luzia do Pará.
Segundo informações e registros de trabalhos anteriores, o primeiro habitante do povoado que na época chamava-se Dr. Tabosa (homenagem ao engenheiro da obra da BR-316 no trcho de Capanema até o rio Gurupi) foi o Sr. Manoel Gaia, retirante nordestino que veio para o Pará no ano de 1956, seguindo os picos da futura BR-316 (rodovia Pará-Maranhão) em plena fase de construção.
O processo de ocupação das áreas citadas aumentou com a instalação do canteiro de obras da rodovia no início de 1958, ampliando o fluxo migratório, a grande penetração e ocupação fundiária favorecendo o desenvolvimento das atividades comerciais cuja demanda era diretamente proporcional ao cultivo de novas terras, ao aumento da produção e ao crescimento da população rural e urbana que iam se fixando, preferencialmente às margens da rodovia.
Desta forma o pequeno povoado também conhecido como Km 47 da Pará-Maranhão e posteriormente denominado Santa Luzia (homenagem à padroeira da vila), espandia-se rapidamente ao longo das margens da BR-316, abrigando um número cada vez mais crescente de famílias, na sua maioria nordestinas, beneficiadas pela oferta de terras e novas oportunidades que associadas com a conclusão da malha rodoviária, em 1972, oferecia pespectivas de futuro, garantindo um certo bem está social da população local, promovendo o alargamento da zona urbana dinamizando a economia local que, relativamente, vai se configurando na condição de importante entreposto comercial e agro-pastoril da região subordinado a uma incipiente rede urbana, compsta pelos núcleos coloniais adjacentes.
Entretanto, o rápido crescimento econômico e demográfico da vila de Santa Luzia, estimulado em grande parte pela abertura da rodovia, era muito limitado pelo município de Ourém que além de temer a concorrência econômica, perda de receitas e possível perda de território, não dispunha de recursos e vontade política capazes de montar uma infraestrutura urbana adequada e uma eficiente rede de serviços públicos necessários para promover o progresso da comunidade satisfazendo os anseios da população da referida vila.
A falta de investimentos públicos capazes de promover o dinamismo sócio-econômico, ocasionando permanente falta de serviços básicos de saúde, educação e saneamento, caracterizando o quadro de completo abandono do poder público do município de Ourém alimentou grande insatisfação na população que foi instrumentalizada pelos líderes político locais a lutar pela emancipação política de Santa Luzia como sendo a solução para os problemas mais urgentes da comunidade.
O desejo emancipatório da população alimentado pelos discursos de forte apelo popular da elite política local foram decisivos e irreversíveis para a separação do município de Ourém e imediata emancipação política da então vila de Santa Luzia que foi sacramentada com um plebiscito realizado no dia 28 de abril de 1991, criando assim o município de santa Luzia do Pará.

Jorge Daniel de Sousa e Silva (Jorginho)
Geógrafo especialista em educação ambiental

Canto da Terra - Apenas uma reflexão.


Uma pergunta que não quer calar: Por que só agora, e justamente nesse ano de 2008, depois de muito tempo no esquecimento resolveram resgatar o CANTO DA TERRA? Pelo que se sabe ele nem deveria ter deixado de existir. Visto que a cada edição só crescia atraindo mais pessoas transformando-se numa marca cultural da cidade com data reservada no calendário festivo luziense, sendo aguardado ao longo do ano pela população do município e visitantes que se deslocavam das cidades vizinhas para prestigiar o maior evento cultural da cidade de Manoel Gaia. O Canto da Terra era um festival que se estendia por três noites consecutivas realizado sempre no segundo final de semana do mês de maio, coincidindo com o dia das mães embalando a juventude com a boa música regional, concursos de poesias, teatro, show de calouros e uma riquíssima programação.
Sem querer ser saudosista, mas lembro-me muito bem da agitação que envolvia a cidade às vésperas da sua realização, todos eufóricos aguardavam com ansiedade a montagem das barracas, o lançamento das camisas comemorativas que a cada ano conseguia se superar em beleza e criatividade. A decoração envolvia toda a mão-de-obra jovem ligada à Igreja Católica, dezenas de entidades e movimentos sociais que faziam questão de dá todo o apoio necessário com participação do comércio local que contribuía generosamente com a festa. Enfim era uma realização de toda a sociedade organizada que se sentia orgulhosa da única festa que realmente engrandecia de verdade o espírito e a cultura do povo da Cidade Morena, segundo a letra da música símbolo do Canto da Terra:
“Bela morena tu já vem chegando
Não tô gostando de te ver assim
O povo na praça ta te esperando...
Que é pra mudar essa vida tão ruim!”

Os idealizadores do Canto da Terra eram pessoas organizadas em movimentos sociais e/ou religiosos sem nenhum vínculo com o poder administrativo local ou estadual, tanto que o primeiro Canto da Terra foi idealizado e realizado em 1991 somente com a garra e a coragem de um grupo de pessoas, identificado com a (esquerda) oposição ao poder executivo municipal da época, chamado RAÍZES CULTURAIS (expressão folclórica e cultural do grupo político da esquerda luziense), "com a finalidade de resgatar, valorizar e incentivar o florescimento da arte e da cultura local e suas tradições".
Durante a década de 90 ainda foram realizadas umas três ou quatro edições, não tenho muita certeza, mas sei que em algumas dessas vezes contou com o apoio do prefeito da época, Nato Costa e como sempre sob a organização do Raízes Culturais. O certo é que depois de alguns anos o Canto da Terra foi esquecido sem nenhuma explicação prévia por parte dos seus idealizadores principalmente depois que estes passaram a ocupar o palácio do poder executivo municipal com a eleição do líder da esquerda luziense ao cargo de prefeito municipal no ano de 2004.
Eram muitas as expectativas por parte da população em relação ao Canto da Terra, pois agora seus idealizadores estavam no poder e com certeza iriam transformá-lo num evento ainda maior, mas não foi isso que aconteceu. O Canto da Terra foi esquecido de tal modo como se nunca tivesse existido ficando na lembrança somente daqueles que eram jovens na década passada, atualmente pais e mães da nova geração que pouco sabe do Canto da Terra ou sequer ouviu falar dele.
Este artigo não tem o objetivo de criticar quem quer que seja, mas questionar: Por que só agora, depois de mais de três anos, resolveram resgatar o Canto da Terra? Por que não tomaram essa atitude desde o início do atual governo municipal?
Hoje (08/04) no programa CONJUNTURAS da rádio Curí FM, o chefe de gabinete do executivo municipal, em entrevista afirmou que para a realização do ‘Canto da Terra 2008’ foram celebrados contratos com a SECULT (Secretaria de Cultura do Estado) e adquiridas verbas junto aos deputados estaduais e federais da bancada governista.
A partir dessas considerações, faz-se outra pergunta. Por que não tomaram essa atitude antes? Buscar recursos junto aos órgãos estaduais e parlamentares que representam esse povo que os elegeram.
Não estamos aqui para julgar o mérito da questão. Mas fazer uma reflexão afim de encontrar uma resposta plausível para esses questionamentos.
Que venha o Canto da Terra! E dessa vez para ficar...

Reinaldo

A produção do espaço luziense (A cidade de Manoel Gaia) - 1ª Parte.

Por Jorge Daniel de Sousa e Silva (Jorginho)

O Processo de produção do espaço correspondente ao atual município de Santa luzia do Pará (espaço luziense) está relacionado com a dinâmica de colonização, inserção e expanção do modo de produção capitalista sobre o território amazônico.
A colonização da Amazônia executada pelo estado colonial português, a partir do século XVII visava, sobretudo, garantir a soberania do vasto território banhado pelo conjunto de rios que compõem o complexo hidrográfico do Rio Amazonas, mediante a ação missionária dos jesuítas, a montagem de fortificações militares e da exploração das drogas do sertão.
O padrão de ocupação, circulação e povoamento da região amazônica se processavam ao longo dos rios e fortes da região, orientando a forma de exploração das atividades econômicas e promovendo a proliferação de inúmeras cidades, organizadas obedecendo ao modelo de urbanização dentrítica.
A importância desempenhada pelos rios Caeté, Guamá, e Gurupi, responsáveis pela ciculação e comercialização de produtos agrícolas e extrativistas, particularmente no nordeste paraense onde orientava a organização espacial e o padrão de povoamento que na época ocorria, principalmente, ao longo das cidades de Bragança, Ourém e Vizeu.
A partir do século XIX ocorre uma excepcional evolução da economia nacional, refletindo-se na forma de organização do espaço brasileiro que se processava de acordo com várias atividades econômicas desenvolvidas sobre o espaço nacional, onde se destacavam a agricultura cafeeira na região sudeste e o extrativismo da borracha da Amazônia. Entretanto é importante salientar que não havia um elo de integração econômica e espacial interligando as diversas regiões do país, mas sim verdadeiros "arquipélagos econômicos" completamente desarticulados e independentes entre si.
No final do século XIX e início do século XX, a economia da borracha atraiu para a região amazônica uma enorme quantidade de migrantes, constituída, sobretudo de nordestinos que vieram converter-se em mão-de-obra barata para a extração de látex. Como sabemos, a maioria da mão-de-obra nordestina deslocou-se para o interior dos seringais atrelando-se a uma relação de dependência e subordinação sócio-econômica que caracterizava o sistema de aviamento.
Todavia uma parte expressiva da mão-de-obra que penetrou na região pelo nordeste paraense fixou-se nesta mesorregião, tabalhando particularmente na colonização da zona bragantina, um cinturão agrícola e hortifrutigranjeiro, formado por pequenos e médios agricultores, cuja produção destinava-se ao consumo interno e ao abasteciamento da metrópole paraense.
O projeto de colonização oficial da zona bragantina era cosntituído por uma infra-estrutura de transporte idealizada para favorecer a comunicação entre os núcleos coloniais e a capital que era bastante demorada, o que podia implicar no atraso da chegada dos gêneros alimentícios à Belém. Para tanto o "o governo imperial bancou a construção da estrada de ferro de Bragança, ligada a um programa de colonização de toda a área" (Maneschy, 1995).
"Observa-se que a colonização da região bragantina diferencia-se em relação a outras no estado do Pará, devido ao poder da ação estatal. O estado dispõe de prerrogativas para alterar o destino de grupos humanos, concedendo terras a estrangeiros e nordestinos, sustentados na produção de base familiar, cuja produção era escoada por via férrea". (Conceição, 1994).
O sucesso rápido e temporário dos projetos de colonização da zona bragantina alimentou um enorme fluxo de mão-de-obra, tornando-a super povoada em razão da pequena quantidade de terras disaponíveis para a agricultura e pecuária e a concentração fundiária que se processava rapidamente, valorizando excessivamente o preço da terra alterando as condições de sustentabilidade ambiental e sócio-econômica, necessárias para fixação dos colonos na referida microrregião.
Os problemas originados pelas inadequadas formas de uso e as limitações ao acesso a terra e a própria decadência da economia da borracha, ocasionaram mudanças quantitativas e qualitativas no fluxo e no sentido das correntes migratórias.
Como se sabe o extrativismo gomífero não fora capaz de promover uma eficiente fixação do migrante nordestino que após o seu colapso, ou voltou para a terra de origem ou passou a deslocar-se com mais frequência pela região em busca de trabalho, terras e oportunidades.
A saturação da zona bragantina a transformou em uma importante área de repulsão populacional, modificando o sentido de povoamento do nordeste paraense contribuindo decisivamente para o temporário refluxo econômico e demográfico de algumas cidades, principalmente as localizadas ao longo da estrada de ferro Belém-Bragança.
O constante deslocamento intra-estadual da mão-de-obra migrante constituída, sobretudo por posseiros e colonos, priorizou a ocupação das terras devolutas próximas dos eixos de circulação existentes na época, a exemplo de rios, picos, pequenas vicinais e posteriomente nas margens da rodovia Pará-Maranhão (BR-316).
As grandes facilidades de acesso às terras devolutas e a presença de eixos de circulação fluvial necessários ao escoamento da produção agrícola, contribuíram enormemente para que nas áreas localizadas próximas as vias de contato com a zona bragantina entre os rios Peritoró, Caeté e Guamá surgissem pequenos núcleos de ocupação orientados e organizados em torno da pequena propriedade familiar e da agricultura de subsistência com mão-de-obra constituída basicamente por retirantes nordestinos que cultivavam a terra especializando-se na produção de gêneros alimentícios de primeira necessidade como feijão, mandioca, milho e malva.
Observa-se ainda que o primeiro momento de ocupação do espaço correspondente ao município da Santa Luzia do Pará é anterior ao processo de abertura da Rodovia Pará-Maranhão (BR-316) quando ainda fazia parte do município de Ourém, recebendo influência econômica direta da colonização bragantina e depois da próspera cidade de Capanema que passa a polarizar praticamente todos os núcleos de povoamento citados.

Por: Jorge Daniel de Sousa e Silva (Jorginho)
Geógrafo especialista em Educação Ambiental

No País de Seu Cabral

Por: Joilson Kariry Rodrigues


Seu Cabral, um velho marinheiro português, estava perdido quando achou de achar um país novinho em folha. Bem arborizado, de frente para o mar, uma imensidão de litoral que não acabava mais, e melhor: quase sem dono. Ora, pois! Que maravilha! Era só descer da nau e tomar posse.
Deus nasceu aqui e decerto passa férias aqui, pensou o velho lobo do mar admirado do seu achado e bendizendo os ventos que o empurraram para aquele canto do oceano.
Conta a lenda que o primeiro dizer dele, ainda em bordo, foi:
- Bunda à vista!... Quero dizer... É... Terra à vista! Tudo meu, tudo meu...
As bundas, acredita-se, eram das nativas. As terras também, mas isso era negociável. De lá para cá nos tornamos o país das bundas. A força do DNA do velho Cabral em nosso sangue nos mantém nessa cultura.
Duvidou que as terras do colega Cristovão, mais ao norte, fossem melhores do que aquelas. Ah, isso não era mesmo! Por isso solicitou a um amigo letrado, um tal de Pero, que escrevesse uma carta ao Rei e outra (sob sigilo) ao italiano. A primeira, séria, comunicando o achado, que fora depois adquirido a troco de algumas quinquilharias, e se desculpando pela demora da viagem a Índia. A segunda era só um bilhete tirando um sarrinho de Colombo. Haha... Ninguém é de ferro! O certo é que nem um nem outro achou o novo atalho marítimo para as índias. E que se danasse a Índia de lá, as índias daqui eram mais sexy. (digo ‘eram’ porque já não são mais, foram dizimadas. Mas ainda temos a Juliana Paes que não é índia, mas é boa também)
Aqui em tudo se plantando tudo dá, pensou o tataravô Cabral. Mas em se arrancando o que já está plantado dá mais ainda, pesou melhor. E assim foi.
Enfim tomou posse das terras. Mudou o nome, porque Pindorama não era lá um nome muito adequado e exigiu, como parte do acordo de aquisição, que os antigos proprietários trabalhassem (forçado) para o desenvolvimento do novo país.
Ah, que isso não deu certo não. Se seu Cabral não queria trabalhar, os índios muito menos. Logo um pajé esperto fez um acordo com os jesuítas: em troca da proteção converteriam todos ao catolicismo. E pode ter sido esse mesmo pajé quem sugerira que fossem buscar guerreiros negros na África para realizar tal mão de obra.
Como todo posseiro que se preza seu Cabral foi aos poucos empurrando sua cerca para dentro das terras do vizinho, os espanhóis. Estes eram vizinhos lá, vizinhos aqui, parecia uma maldita perseguição. Os otários acreditaram num tal Tratado de Tordesilhas... Hahahaha. Daí para cá nos tornamos o país dos espertos, 171 tremendo.
E ele só não avançou Argentina adentro porque não queria o Maradona na seleção brasileira, dizem. E se tivesse abocanhado também a Venezuela o Huguinho era bem mais que só sobrinho do Donald, era oposição ao Luizinho. (ou aliado, sei lá...) e a família do pato estaria completa se juntassem a um Zezinho qualquer (... o Dirceu ou o Genoíno). Daí talvez fosse mais fácil enfrentar Napoleão e deixar que a família Real ficasse por lá mesmo.
Com Napoleão nos calcanhares o velho Cabral teve que correr acovardado e fixar moradia por aqui de vez.
Até que não foi de tudo tão ruim assim. Era só fingir que aqui era lá, só que mais quente e com mosquitos. Divirta-se matando índios, distribuindo chicotadas nos negros e enforcando dentistas radicais e nem vai sentir saudades das terras civilizadas.
Já que ia ficar por aqui mesmo seu Cabral cortou de vez os laços com os patrícios portugueses. Mas deu uma cochilada e perdeu o controle. Assim perdeu também um bom pedaço de terra lá no sul. Os cisplatinos, só para contrariar, deram ao velho Cabral o mesmo gostinho que ele dera aos portugueses. Hahahaha... Essa eu gostei!
Gostei, mas me calo decepcionado com os cisplatinos. Esses caíram no conto do velho português e juntos com a seleção argentina foram tentar abocanhar as terras do Paraguai. Que coisa feia! Por que não decidiram essa parada no Maracanã?
Apesar de tudo o novo país de seu Cabral ia bem, obrigado. Mas dava um trabalhão danado administrar isso tudo. Então o velho teve uma idéia: alugaria o país. E, apesar disso aqui ser um negócio da China, foi aos Ingleses que ele entregou, de porteira fechada.
Os ingleses forçaram a libertação dos negros (como eram bonzinhos!). O pajé, que havia sugerido que escravizassem os africanos, tremeu de medo achando que agora era a vez dele trabalhar. Agarrou-se a um crucifixo e jurou que era católico. Foi eliminado com o Cristo nas mãos e Tupã no coração.
Importaram então mão de obra italiana e japonesa. E a senzala inteira sorriu aliviada, saboreando a desforra. Agora era a vez dos brancos e amarelos trabalharem.
Mas não foi bem assim não. Os importados ganhavam para trabalhar. Que merda! O suor do africano só tinha valor se fosse derramado de graça, misturado ao sangue das chicotadas. Quando chegou a vez de faturar chamaram os gringos.

SALUDOPÁ, um sonho da cultura em Santa Luzia do Pará.

"Uma análise sobre a cultura luziense, por Naldo Blandtt"

A Amazônia é uma das referências culturais no Brasil, e este é uma excelência no planeta. A música, a poesia, a dança e o cunho artístico desse conjunto são conhecidos e admirados no mundo, como o samba (e derivados como pagode, samba de roda, samba romântico), a bossa nova (música popular brasileira e manifestações regionais), o forró (e derivados como quadrilha, xote, chorinho), e muitos outros como axé baiano, frevo, maracatu e sertanejo.
No Pará o conjunto artístico entre música, poesia e dança é conhecida tradicionalmente através do carimbó (de origem indígena na área da região do Salgado paraense), do siriá (de origem indígena na região de Cametá) da marujada bragantina (retumbão, mazurca, chorado, roda-dança, xote, valsa e outros, uma herança dos escravos negros), do çairé (da mesclagem entre índios, negros e portugueses em Santarém que tem referência a dança do Boto Rosa e Boto Tucuxi), da Lambada (uma tradição cabloca de Abaetetuba, que se manifestou no Brasil e no mundo na década de 90 e tem sua origem no rítmo de sambão e mexixe), do Lundu (uma manifestação sensual herdada dos escravos na ilha do Marajó), MPP (musica popular paraense, um derivado de bossa nova com respaldo nas poesias sobre a Amazônia), e o Brega, uma manifestação moderna do conjunto artístico dança, poesia e música em Belém, com herança entre a guitarrada, o carimbó e a lambada, hoje já se manifesta em todo o Brasil, e também nos Estados Unidos, Europa e Japão, mas conhecido como calypso, por preconceito ao nome brega representando uma derivação do merengue caribenho.
Conceituando o brega/calypso na indústria da diversão, é música diretamente ligada ao iê-iê-ie, combinada com o bolero, tango e baião, de forte apelo sentimentalista, feita em série e vendida em massa para diversão, estilo musical caribenho, geralmente improvisado, cheio de humor e ironia. Dança e rítmo originário da Jamaica. Gênero de música popular improvisada e cantada pelos naturais de Trinidad Tobago, no Caribe. Uma das conseqüências do brega/calypso paraense é a caracterização da cidade de Belém como uma ilustre representante do ritmo latino caribenho no Brasil.
O cunho artístico é uma manifestação cultural fundamental para valorizar a raça, a beleza, o comportamento social sobre cidades e/ou regiões, se caracteriza pela identidade cultural e artística muito significativa para respaldar a diversidade do Brasil. O que se manifesta são as sobreposições culturais, quando uma região não consegue fundamentar sua identidade cultural. As sobreposições culturais interferem na identidade social do local e sua significância socioeconômico quando um sistema cultural é apenas receptor da diversidade artística. Naturalmente, um fundamento sistêmico da cultura é a herança histórica da arte e sua diversidade plurenatural entre raças, religiões, sexo e sensualidade entre outros.
O município de Santa Luzia do Pará, recém criado, caracteriza-se pela sobreposição da diversidade cultural, haja vista que é povoado por intermédio de raças paraense, maranhense e cearense entre outras. Contudo, por incentivo da Escola Florentina Damasceno em 1992, através das professoras Benedita Saldanha e Olímpia da Luz (in memorian), uma turma de alunos da primeira série do ensino médio, exercitaram uma alternativa de manifestação artística, para que o município tivesse uma identidade cultural voltada para a valorização local, assim nascia o SALUDOPÁ, que significa SA de Santa LU de Luzia, DO de do e do Pará.
O SALUDOPÁ se manifestou de forma impactante para a cultura local naquele momento histórico, recebeu críticas, elogios, sugestões e até concorrente, o que demonstrava a sua excelência artística e possibilidade de gerar a primeira manifestação da cultura local. A musicalidade do SALUDOPÁ é uma composição entre o carimbó e a lambada, formada por casais que se manifestam dançando em coreografia sistêmica da sensualidade em conjunto, onde um passo de dança é tradicional, porém se deriva em outros passos, que enriquecem ainda mais a sensualidade da dança entre um homem e uma mulher.
Uma influência significativa do SALUDOPÁ é a manifestação religiosa cristã, como uma homenagem à italiana Luzia (da ilha de Secília, na província de Siracusa), reconhecida pelo Vaticano como Santa, onde em todas as manifestações do SALUDOPÁ uma representação era suspensa ou elevada às alturas, o que se refere à tentativa de pessoas tentarem levantar a italiana Luzia, que foi violentada pela devoção a Jesus Cristo, o SALUDOPÁ é uma compensação desse fato, mais agora, pelo reconhecimento da fé cristã, esta pode ser elevada e girada nos altos, especificamente com a bandeira de representação oficial do município de Santa Luzia do Pará.
A poesia da música do SALUDOPÁ referenda uma manifestação local, que busca letras de homenagem e orgulho ao município e referencia a beleza da mulher local, vejam:
“SALUDOPÁ é uma dança típica do lugar”...
“SALUDOPÁ é uma dança de Santa Luzia do Pará”

A manifestação do SALUDOPÁ foi um desafio para essa primeira turma de jovens estudantes da Escola Florentina Damasceno, mas recebeu um intercâmbio de vários outros artistas locais, tanto aqueles músicos, cantores, dançarinos e até mesmo políticos da época que incentivaram a sucessão do SALUDOPÁ. A cada ano que passava a partir de 1992, as manifestações da referida dança se fortaleciam e melhoravam as apresentações artísticas tornando-se a principal manifestação cultural do município, e com isso, um sonho foi criado: que o SALUDOPÁ deixasse de ser uma manifestação escolar e se tornasse o FESTIVAL DO SALUDOPÁ, que aconteceria no mês de dezembro durante a festa religiosa de Santa Luzia e aniversario de emancipação política do município, porém esse sonho nunca se realizou fazendo com que o SALUDOPÁ fosse adormecendo, ficando esquecido pela maioria mas muito presente na memória daqueles que o conhecem e amam Santa Luzia do Pará.
Os sonhos são atributos fundamentais, em especial os sonhos que pensam o bem e se manifestam para esse favor. O SALUDOPÁ é um sonho fundamental para a cultura do nosso município, pois representa uma manifestação na mesclagem da diversidade artística e cultural, outrossim, uma manifestação da nossa identidade sócio-cultural.
A história da arte sistêmica entre música, dança e poesia no Pará é um dos alicerces brasileiros e suas influências na globalização artística, e o SALUDOPÁ pode ser um fundamento desse sistema. Basta a sociedade luziense acreditar, desejar e realizar esse sonho.

NALDO BLANDTT

Parabéns para a Escola São José.


A escola Municipal São José completou na data de ontem, primeiro de abril, (olha que não é mentira) 29 anos de existência e de bons serviços prestados a cidade e essencialmente ao bairro do km 46 onde está localizada. Fundada em 01/04/1979 pela professora Raimunda Rodrigues (in memorian) inicialmente como uma escolinha particular a escola São José foi depois adotada pelo poder público municipal na administração do então prefeito de Ourém "professor Raul Santos" (in memorian)que sensível a crescente demanda daquele bairro composto principalmente por pessoas carentes que careciam de educação para seus filhos elevou a escola à categoria de Escola Municipal de Ensino Fundamental São José oferecendo educação de 1ª à 4ª séries à população do então Bairro Novo.
Ao longo dessas quase três décadas de existência a Escola São José cresceu em espaço físico e em conquistas também, hoje oferecendo todas as séries do ensino fundamenta (de 1ª à 8ª séries) é uma referência no municícipio em educação básica tendo sido indicada pelo MEC (Ministério da Educação) como a escola de melhor aproveitamento escolar pelos seus alunos.
Essas conquistas se devem a uma série de fatores que fazem da escola São José um modelo a ser seguido. Uma direção séria e democrática, comprometida com a comunidade escolar e civil na qual está inserida, corpo docente competente que visa um único objetivo: o pleno desenvolvimento do processo educativo. E por fim não poderiamos esquecer de sua clientela que absorve todos os conceitos e atividades desenvolvidas pela escola enquanto agente multiplicador da educação e transformador da realidade.

Parabéns! Escola São josé.

Fotos do dia...

Esta é a imagem peregrina de Santa Luzia que durante o ano permanece na Igrja Matriz saindo somente no mês de dezembro por ocasião da festividade que a homenageia e especialmente na grande romaria do dia 13, que é o dia consagrado à Santa Luzia protetora dos olhos e de todos os luzienses.

Interior da igreja de Santa Luzia destacando o presbitério e o lindo altar em madeira talhada. A Igreja Matriz é uma das contruções mais antigas e um dos maiores ícones de identidade desta jovem cidade que tem pouco mais de meio século de existência mas muita história pra contar ao longo desse curto espaço de tempo.