Professora e escritora de Santa Luzia do Pará está na Suíça para lançar seu último livro no famoso Salão do Livro de Genebra
Trata-se coletânea de obras franco-portuguesas que cria uma nova abordagem para uma das peças teatrais de autoria do mais importante escritor e dramaturgo da Língua Inglesa de todos os tempos. Além de Joana apenas mais dois brasileiros estão entre os escritores selecionados que junto com seis franceses e três portugueses assinam a coletânea que dá uma "roupagem" contemporânea para a comédia escrita por Shakespeare no distante ano de 1590.
Joana Vieira se destaca ainda por ser a única escritora paraense a enveredar pela obra shakespeareana ao escrever a narrativa "Amor de índio" contando a história de amor entre uma nativa amazônica [Ermya Arara] e um engenheiro da Eletrobrás, tendo como pano de fundo a saga vivida pelos índios durante a construção da terceira maior hidrelétrica do mundo, o complexo energético de Belo Monte no sudoeste do Pará, sobre o leito do rio Xingu, próximo ao núcleo urbano do município de Altamira, narrando os conflitos entre índios, quilombolas e ribeirinhos com representantes do governo e do consórcio responsável pela execução projeto.
No enredo, Joana Vieira, ainda narra as ações das comunidades tradicionais da região e movimentos sociais contestando a instalação da usina, dando destaque aos grandes prejuízos causados aos indígenas com a anulação dos seus direitos para garantir os interesses do governo e do capital financeiro, principal fiador do tão propalado PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] que se tornou a vedete da propaganda governista com o falso discurso de levar o desenvolvimento aos quatro cantos do país durante os governos petistas dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.
Amor de índio aborda uma paixão proibida que nasceu do encontro da recém-formada médica Ermya Arara - neta do senhor Nego, principal liderança da etnia Araras - com um engenheiro enviado pela Eletrobrás para explicar aos indígenas e movimentos sociais as "vantagens" da implantação de uma grande hidrelétrica no meio do rio Xingu. O contato entre "brancos" e índios une o casal pela primeira vez durante uma viagem de avião, que se apaixona desde o primeiro olhar, mas jamais podia imaginar que ambos estavam, literalmente, em lados opostos.
A história é uma recriação da realidade, com contornos shakespeareano, envolvendo personagens reais vistos com o olhar da ficção. O clímax do romance é a fuga do casal para o interior da floresta, que para viver esse grande amor enfrenta grandes desafios impostos pela realidade local atravessando rios, enfrentando animais selvagens e as dificuldades de quem vive na mata, fazendo um paralelo intertextual com as crendices locais envolvendo espíritos, ritos e lendas amazônicas.
Espírito de índio é um texto leve que mistura política e lirismo; questões ambientais e os conflitos de terra; sexo e misticismo; pajelança e medicina; cotas sociais e políticas de desterritorialização; personagens do imaginário popular como Curupira e Matinta Pereira; amor, vingança e ódio; homem branco e indígenas.
"L'amour d'Indien", o título "Amor de índio" traduzido para o francês, será lançado na próxima sexta-feira, 27, durante programação do Salão do Livro de Genebra, na Suíça.



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