O Pará perde Mestre Verequete, um dos maiores ícones da cultura paraense
Verequete foi morar em Pinheiro, hoje distrito de Icoaraci, onde criou o grupo O Uirapuru da Amazônia. O primeiro disco foi gravado em 1970, "Carimbó Irapuru do Verequete [Só podia ser]". A partir daí, Verequete não parou mais e foram mais de dez discos lançados. Mesmo com todo o sucesso, inclusive fora do Pará, abandonou a carreira na década de 80 e acusava os produtores de terem lhe passado para trás. Foi quando ele perdeu a vontade de cantar e acabou com o grupo. 'Foi uma fase muito ruim, roubaram muito a gente', recorda-se Cenira, sua companheira nos últimos 30 anos.
O retorno, no entanto, só aconteceria em 1994. Durante esse período Verequete vendeu churrasquinho numa barraca em frente a vila onde mora. Essa foi a fase mais difícil da vida do artista, que reclama nunca ter recebido os direitos autorais de sua obra. "Ele era analfabeto, não lia os contratos que assinava e ficou tudo no nome das gravadoras", explica Cenira.
Apesar da importância tantas vezes ressaltada do músico para o cultura paraense, Verequete viveu grande parte de sua vida enfrentando a miséria. Preso a uma cadeira de rodas desde que foi vítima de um AVC, passou parte dos últimos anos de sua vida num quarto-e-sala alugado numa vila da periferia de Belém se mantendo com um pensão mensal de R$ 900,00 concedida pelo Governo do Estado e uma rede de farmácias oferece R$ 1.000,00 em remédios por mês. A outra fonte de renda era a aposentadoria do INSS, no valor de R$ 465,00.
FONTE: Amazônia Jornal, edição de hoje, 04 de novembro de 2009.


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